Peças...



A vida constantemente nos prega peças. Loucura seria se nós vivêssemos em peças com ela, ou simplesmente a entregarmos nossos sentimentos!

Aqui no Palácio temos tudo ao nosso favor. Os dias de sol e os dias de chuva não tem muita diferença, pois sempre estamos rodeados de magia e encanto. Nós somos livres para viver cada momento e situação, a regra aqui é viver! Temos obrigações que no final do dia se tornam gratificantes. Aprendemos com nossos atos, escolhas e ações.

Toda semana as quintas-feiras têm o grande baile com o anfitrião. Os bailes sempre são dados com muita musica comida e bebidas que sobram e transbordam. Embora todos os bailes sejam de mascaras, a decoração e o tema nunca se repetem. O anfitrião e os empregados nunca mostram os rostos, durante os dias o anfitrião não se apresenta para ninguém, ele se comunica com cada um através de pequenas mensagens e nunca se esquece de nenhum de seus hóspedes. Já os empregados durante os dias mostram seus rostos mais não emitem som. Eles nos respondem com gestos, nos dão total atenção mais não falam.

Isso tudo não tem muito nexo, mais eu procuro entender. Cada hóspede do Palácio vive o seu momento único, quando somos convidados para viver uma temporada aqui no Palácio é porque precisamos aprender algo determinante em nossas vidas. Não sei de que forma somos selecionados, mais existe uma grande razão para estarmos aqui.

Em um dos trechos do diário a jovem Josephine me faz tentar compreender um pouco disso tudo, já que eu estou vivendo o período de novidade, assim como ela viveu aqui quando chegou ao Palácio...

Eu tinha perdido a esperança de viver. Não achava sentido nisso, nunca me interessei pela idade, vivi toda a minha infância e adolescência apreciando e me perguntando o porquê dos dias, o porquê da noite, do som, do silencio e do cair das folhas e das flores... Qual o sentido de acordar? O que posso esperar de um futuro que eu não acredito existir? Tenho mesmo é que enfrentar as coisas que vem e que vão, seja lá qual for...

Durante os dias aqui no palácio, eu comecei a ver a diferença das coisas que eu imaginava. Eu comecei a entender o porquê da cada uma. Eu começo a entender o silencio e ouvir o vento, eu chorei ao cair da tarde e lamentei o cair das flores. 
O meu anjo da guarda me ajudou a enxergar e mesmo com as suas asas quebradas ele ainda pode me fazer voar, e me leva a acreditar que tudo é possível quando se tem determinação.
Sempre ao seu lado eu determino aprender mais sobre os valores da vida, abraçar as estações e sempre estar pronta para as mudanças e lentamente parar de me preocupar com os porquês de tudo...
Outubro de 1873


O que eu posso dizer mais neste momento? Apenas viver os meus dias. A minha mente esta cheia de questões, o meu anjo da guarda está atarefado me ajudando a resolver problemas que talvez não existam e por sua fidelidade a mim ele procura não me questionar. Eu tenho que extinguir muita coisa que não tem valor, eu tenho que enxergar o que esta a minha frente assim como todos fazem para sofrer menos durante o decorrer de sua estadia por aqui...

Viver sem muitas preocupações e procurar entender o roteiro das peças que a vida nos proporciona. Saber enfrentar cada ato seja como Protagonista ou Coadjuvante. A história nunca é a mesma, parecida... Nunca a mesma!

Cada dia um novo dia!

Boa semana a todos.