Trechos de cartas!

 


Uma nova semana chega no palácio, na biblioteca uma caixa deixada abaixo de uma escrivaninha me chamou a atenção e para minha surpresa, mais uma relíquia, na tampa o brasão do nosso anfitrião ...



Ao abrir e ler o conteúdo, percebi que o anfitrião tem o dom da primeira semente, por carregar isso sozinho, começo a perceber a real magia e também o fardo muito complicado de ser ele. 
Esse dom o  leva ainda hoje, a ter de plantar na vida de cada pessoa que passa pelo palácio, cada ser que vive suas temporadas aqui, no final das contas acredito que por mais triste que seja às vezes, acaba sendo recompensador...


Para cada semente que ele planta, outro milhão de sementes se multiplicaram pelo mundo lá fora. Uma vez plantadas, ele sabe qua não tem tempo para vê-las crescer. No fim ele sabe que tudo o que plantou, criou-se cada vez mais e mais provando que a missão é longa e satisfatória...

Guardado na caixa, um pacote cheio de cartas dentro, deixado em despedida de cada hóspede antes de partir  em agradecimento ao anfitrião, escrito no pacote estava:

"Em agradecimento a cada um que me permitiu plantar uma semente em suas vidas!"





“Eu aprendi... Que algumas vezes tudo o que precisamos é de uma mão para segurar e um coração para nos entender... Onde existir verdade, lá eu estarei...” Setembro de 1870


...Tudo começou com uma brincadeira, hoje ainda estamos aprendendo as regras do jogo . Longe ou perto sempre um cuidando do outro. Duas almas irmãs, dois amigos fiéis, aqui nos encontramos e para sempre estaremos unidos, errando juntos e aprontando também fazendo crescer o sentimento que deixamos nascer.. "
 Maio de 1871


...Destinos paralelos com um único ponto de encontro antes do infinito... Tudo foi feito na dosagem certa, tudo o que aconteceu deveria realmente acontecer... Já se foi, não volta mais... Obrigado por ter me ajudado a escrever um capitulo do livro... Existem historias que nunca passarão da fase de edição...  
Julho de 1871


...Mesmo com um pouco de medo e expectativas seguras sobre o momento, aprendemos a voar juntos, o titulo de irmão veio com o tempo. Lágrimas perdidas entre os dois, momentos decisivos e intensos em nossas bobeiras diárias, mais crescemos ainda mais... Ao meu irmão, meus sinceros agradecimentos... 
Julho de 1871


...Obrigado por caminhar comigo e ser minha estadia aqui, pela nossa história que não é pouca não hem! No momento que mais precisarmos sei que poderemos contar um com o outro no mundo real. Uma vez na minha, outra vez na sua... 
Agosto de 1871


... La e cá, longe ou perto. Não importa muito. O que fica é o sentimento de carinho e amizade. Uma coisa legal disso tudo é que sempre nos encontraremos na estrada, mesmo não seguindo o mesmo caminho, sempre existirá um ponto de encontro... 
Janeiro de 1872



... Por ainda estar aqui e por ter sido parte de minha estadia, por todas as danças, por todos os momentos nos jardins, ousamos buscar por um suposto herói imaginário, descobrimos que este herói se dividia entre nós dois...
Março de 1872



...A vida é um mistério, nós não esperamos o que vai acontecer amanhã, nem sabemos se estaremos vivos. Sabemos que não podemos deixar de viver, pois a vida não para. Coisas que você ou eu estamos vivendo agora, daqui a algumas horas, dias, semanas, meses ou anos, poderá não mais estar acontecendo. Basta buscarmos o que queremos e sempre querer mais, algumas coisas e claro que não iremos conseguir mais pelo menos tentar buscar o que você quer é bem gratificante... 
in memorian Outubro de 1873


...O mundo sempre esta repleto de magia e não somos capazes de enxergar... Pelo menos o nosso anjo da guarda ainda confia em nós! Tantas das vezes perdemos a oportunidade de observar... Tudo sempre acontece da forma certa e no momento certo. Eu aprendi o que era cultura, aprendi a ter mais confiança em meus objetivos. Se eu errei não sei e, se erramos não lembro... você se foi prematuramente , mais a vida segue, difícil será para o seu amado, mais estaremos ao lado dele...
Outubro de 1873


...Na chuva, sem sapatos com um cravo branco nas mãos. Olhando para o céu e deixando ser absorvido pelo momento. Ao invés das lagrimas um sorriso simples e doce, agradecendo por tudo o que vivi ao.seu lado no palácio , contemplando cada detalhe que me foi oferecido e ensinado, cada gesto, cada lapso. Estou cumprindo a promessa, estou vivendo e sendo muito feliz... Abril de 1874

Ele aguarda maravilhosas recordações, guardou também a triste lembrança da parida prematura do Anjo de Vídeo como era chamado o mais amado dos pupilos. 

Começo a ver explicações do porque, o grande anfitrião é só jeito que ele é. Em breve eu serei uma  lembrança também, minha estadia também está chegando ao fim e o que eu posso dizer , é que iante de todas as emoções vividas, agora será a hora de refletir e não entrar em desespero ou tomar as velhas decisões e por tudo a perder. Não vou chorar na despedida, pois um sábio me disse que elas constituem formalidades obrigatórias para que se possa viver uma das mais singulares emoções da vida...
               O reencontro...

Deixarei o palácio em breve, antes um último baile e a carta ao anfitrião!