A magia dos Serafins.




Esta semana durante o baile, na quarta dança um olhar apaixonou-se por um sorriso. Eles eram jovens e o clima de festa no grande salão esbanjava alegria e magia. Passadas e giros em movimentos sincronizados. Embora todos já se conheçam por aqui sempre temos algo de novo ou um mistério se revela em alguem. 

Josephine nunca tinha reparado naquele sorriso, ela supostamente possa ter visto em algum dia, mais exatamente naquele momento onde o dono do sorriso estava com uma semi-mascara, a unica coisa que se sobressaia era o brilho dos lindos dentes e a forma delicada da boca. 

Ela foi enfeitiçada, seu par não entendera por que Josefine havia parado a dança no meio do caminho e enquanto a musica rolava ao fundo entretendo os outros que giravam pelo salão, ela foi pega de surpresa com um puxão. De volta ao mundo real, ela tenta retornar aos paços da dança, seu par a gira, gira e gira e com olhares de busca ela tenta encontrar o jovem mascarado novamente...

A dança fica um pouco mais rápida e todas as damas são separadas dos seus pares, unidas elas giram em sentido contrario aos rapazes e de repente, unem-se a novos pares. Josephine não entende nada e continua a buscar, da esquerda para a direita em movimentos rápidos com a cabeça, a musica para e em fim ela olha para o seu novo par em sentido de agradecimento. Ao primeiro ver ela encontra o dono do sorriso ao qual se encantou e antes que ela fala-se alguma coisa ele lhe deu boa noite, agradeceu pela dança, deu-lhe um beijo em sua mão e se foi.

Josephine tremula observa o jovem se afastar, ele olha para traz e fixa o olhar ao dela. O jovem lança um sorriso e vai em direção a varanda após pegar um rápido drinque com o garçom. Ela ignora o chamado dos amigos em sua mesa e vai em sua direção. Ao chegar na varanda ela vê o jovem se aproximando da escada e colocando a seu sobretudo com uma grande capa azul escuro, agradecendo ao chapeleiro do palácio e quando estava prestes a partir ele vê Josephine.

Os olhares se encontram e Josephine pergunta quem era ele. Ele sorri e responde:

- Eu sou apenas alguem de quem não deve se importar. Desculpe minha falta de cordialidade mais tenho que ir. Obrigado pela dança senhorita de luz serena.

Então ele rapidamente se foi, seguindo sempre em linha reta até a visão de josephine o perder na imensidão da penumbra. 

Extremamente tocada e mais uma vez sem entender nada, ela que levava as mãos ao coração, volta ao salão e reencontra os seus amigos. Com um imenso desejo de voltar aos seus aposentos, ela se despede e segue. Quando estava passando pelo corredor que levava a escada dos fundos, ao qual era o acesso dos quartos, Josephine repara que o anfitrião estava na sala de piano, prestes a tocar uma cansão. Ele estava sendo servido por um garçom que depois o deixou, ele saiu olhou para ela e deixou a porta entre aberta. Josephine recebeu um sorriso do garçom que se foi. 

O anfitrião começou a tocar carinhosamente o piano e a musica parecia soar conhecida. Ela se aproxima mais um pouco e relembra sobre o jovem que a poucos conhecera. O anfitrião olha para ela e a chama com os dedos lentamente. Ao se aproximar ele entrega para Josephine um cartão onde estava escrito:

Viva esta nova semana assim como a outra e abandone os seus medos...
Tudo faz parte do grande plano da ilusão que é a vida.
Explore suas emoções e desafie seus sentimentos mais e mais...
Não tenha medo, não se prive a questionamentos...
A resposta não existe em um porque e sim no seu viver...
No final quem saberá se valeu apena é você...

Ao acabar de ler Josephine percebeu que embora a musica ainda toca-se em sua mente, o anfitrião  já havia partido sem ela perceber e que era hora de realmente dormir...

Durante os dias da semana, em certo momento ela estava ali, reprimida por medos infantis. Ela determinou ir em frente e encontrar o jovem misterioso novamente. A presença dele ainda permanecia no local e se ela continuasse dentro do seu quarto, a tormenta não a deixaria em paz...

Ao abri as janelas ela observou o grande jardim. Alguns dos hospedes caminhavam, outros aproveitavam do dia ensolarado sentados em suas toalhas de Picnik. Alguns escreviam, outros liam, outros degustavam do clima de romance e outros apenas sonhavam sobre a sombra das mais belas arvores. 

Resolveu então caminhar sobre o lago e refletir com o cantar dos pássaros e o silencio das flores. Foi onde ela conheceu Gabriel, um jovem de aparentes 20 anos de idade, olhos claros, loiro e com um lindo sorriso que não era nem um pouco parecido com o que Josephine guardava em suas lembranças. Eles começaram a conversar e passaram a tarde em volta do lago. Josephine descobriu que Gabriel estava em seu ultimo ano no Palácio e que em breve iria deixar este universo de magia e encanto para seguir em frente a sua vida. Ela se encantou como nunca, e desta vez começou a se desprender de seus medos. 

Gabriel era tão encantador que Josephine não conseguia esconder o brilho de paixão em seus olhos. Durante os dias, era visível o clima de romance entre os dois e quase não existia mais tempo para os seus amigos que também apoiavam totalmente sua escolha. Parece que o romance em fim foi concretizado e Josephine escreveu em seu diário o quanto estava feliz. Mais em uma de suas citações ela parece ainda estar em conflito com seus desejos ou sentimentos... O desgarrar-se não foi total.

Ela cita:
Em se tratar de companheirismo, eu não tive quem segura-se a minha mão, mais durante todos esses anos eu tive o amparo dos meus  seres divinos. Eu os chamo de Serafins, os meus anjos da guarda! Muito mais do que a fantasia de dizer que eles são “o meu porto seguro” eu digo que eles são “o meu chão”. 
Vivi com medo por muito tempo e agora Gabriel que tem nome de anjo esta me ajudando a apagar esses medos. Ele me faz flutuar, me sinto mais leve e ele ao mesmo tempo transpassa pureza. 
Em meus pensamentos, Gabriel me transforma, ele possui uma coordenação pessoal de numerosas influências espirituais impessoais que residem e me rodeiam a mente e a alma, me afastando de ser uma simples criatura material em evolução.
Gabriel é um anjo em forma de gente, que continuamente me faz buscar promover as decisões que completam os círculos de minha confusa mente mortal. Estou mais confiante e trabalhando através do ambiente social, ético e moral e entendendo que este é um dos maiores privilégios dos seres humanos. 
Essa é a logica dos serafins e eu estou feliz por estar vivendo isso. Realmente estou vivendo a magia do qual fui informada que existia aqui, mais não consigo esquecer do misterioso sorriso que perturba o meu sonho...
De que me adianta flutuar acordada com Gabriel e voar com uma pessoa que nem conheço durante o sonho. Eu não devo questionar como dizia a mensagem. Mais não sei o que fazer pois Gabriel partirá na próxima estação e o próximo baile esta prestes a acontecer e não quero mais surpresas...
                                                                                                      Outubro de 1873 

Termino esta postagem com o seguinte pensamento que poderia ter ajudado a jovem Josephine se eu estivesse lá:

"A mente humana não cria valores verdadeiros ; a experiência humana não permite um entendimento do universo. E quanto ao entendimento, o reconhecimento dos valores morais e o discernimento dos significados espirituais, tudo o que a mente humana pode fazer é descobrir, reconhecer, interpretar e selecionar."

Boa semana a todos!


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